Quem serão os monstros de amanhã?

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Oh yeah

Aquela coisa que sempre me intriga: toda essa celebração da condenação e prisão do Lula funciona como uma catarse como foi a deposição de Dilma. Os problemas que se atribuem exclusivamente a ele, ao PT ou à esquerda logo tomam forma cada vez mais arcana e generalizada.Tudo o que gravita em torno da esquerda, partidária ou não, é atacado como fonte de todo o mal. A educação vai mal? Culpa do Paulo Freire! A criminalidade avança? Culpa dos Direitos Humanos! A catarse vem, pouco muda e logo é necessário inventar novos monstros.
Quanto mais generalistas, absurdos e imateriais mais esses monstros serão politicamente úteis. A esquerda passa a ser retratada uma força que está em qualquer lugar, aparelhando qualquer coisa, ameaçando sua família, seus modo de vida, sua propriedade. Muita gente mantém a tese de que as paranoias de parte da direita sobre “bolivarianismo” ou “comunismo” vão diminuir com a prisão de Lula e a impossibilidade de sua candidatura. Eu discordo por um motivo simples: essas paranoias não carecem de um fundo de coerência.
A catarse que alimenta o espectro partidário sobre questões duras e difíceis sobre governo, corrupção, as relações entre o setor público e privado, não vai sumir. É uma narrativa útil demais, da mesma natureza que permite, por exemplo, ignorar a corrupção nas Forças Armadas.
Há vários limites aí. A transformação inevitável de integrantes do poder judiciário em um atores público que, por estarem supostamente alheios às questões da política (tornada corrupção) seriam melhores mais objetivos… a menos que tomem a decisão “errada” – chamemos os generais.
E nesse ponto há o risco de que a justiça não seja servida em igual medida a todos os aqueles nos radares, ou que o pode judiciário não consiga satisfazer todas as expectativas construídas em torno dele. Isso o tornaria outro poder da República em crise? Não há resposta fácil para isso. A quantidade de clamores pelo fechamento do Congresso ou do STF pode não ser numericamente relevante (ainda). Já é um problema que a sombra disso tenha se tornado parte corriqueira de um discurso que acha que a saída está fora da democracia.
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